Apareceu
A suspeita da devastação,
da destruição.
Que ninguém viu, que surgiu
no silêncio,da tarde ou da noite.
Firmou-se na frente do muro
mudo.
Pela saída do fundo
Na presença de todos.
E foi devastando devagar.
Foi chegando sem parar,
invadindo cada canto,
implodindo todo encanto,
do corpo violado.
Como sobreviver
a guerra quieta do ser?
Salvar-se do desgosto
posto no rosto.
Apegar-se ao pó ,
á sombra.
De que,
de quem?
No cinza da roupa
que veste e reveste,
vê-se a imagem
daquele que deveria proteger
Mas deixou de fazer.
Imagine-se seguindo,
andando, caminhando,
para o sol, para o céu.
Infinito de toda alma.
Esperança que quase espanta.
Que reencanta.
Luz de um abraço
acolhedor, que crê.
A importante presença de
alguém que abriga.
Que acompanha cada passo,
E cada laço refeito.
Mãos que afagam.
Ombros que acolhem
o ser desiludido,
desencantado, cansado.
Agora é preciso continuar
vivendo.
É só continuar
(re) fazendo.
No pós-guerra, sobreviver
é mais que viver.
É também esconder, silenciar
o que se viveu.
Superar e voltar a se encantar
Após a guerra é o que resta
No resto de mim
Sopro sem fim.
Margarete S. Marques
Retirado da Publicação Refazendo Laços de Proteção - WCF Brasil
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